Divagações sobre o viver
Reflexões sobre Questões de Vida e Morte
A revolução tecnológica e terapêutica proporcionou a vitória do homem sobre várias doenças, que durante muito tempo foram fatais e possibilitou uma investigação criteriosa sobre os medicamentos, drogas e seus efeitos colaterais. No campo da biologia agregou conhecimentos na área de reprodução, como o domínio da inseminação artificial, fecundação "in vitro", etc, na esfera da hereditariedade o conhecimento intrauterino, doenças hereditárias, previsibilidade das pré-disponíveis, certo domínio da engenharia genética, e o avanço das neurociências.
Nessa semana o STF aprovou a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos também chamada de antecipação terapêutica do parto, com isso convido a vocês a refletirem comigo algumas questões que me inquietam no viver.
Procurarei na medida do possível abstrair dessa reflexão minhas convicções religiosas, crenças e valores, embora confesse que acredito impossível, abandonar toda subjetividade.
Necessário se faz a princípio definir ou entender quando se dá o inicio da vida.
Necessário se faz a princípio definir ou entender quando se dá o inicio da vida.
Em um estudo clássico sobre o aborto, Callahan identificou três posturas em relação ao "status" do feto, ou quando se daria a origem da vida.
1ª. A genética que defende que a vida inicia com a concepção.
2ª A desenvolvimentista que divide-se em três posições a primeira, o inicio seria a nidação do ovo na parede do útero, a segunda com o desenvolvimento do córtex cerebral e a terceira posição com a expulsão do feto do útero.
3ª. Das consequências sociais, o feto seria definido ou no nosso caso a vida seria definida pelo desejo social e moral representados pelas normas daquela sociedade, modelado pelas trocas biológicas e relacionais.
1ª. A genética que defende que a vida inicia com a concepção.
2ª A desenvolvimentista que divide-se em três posições a primeira, o inicio seria a nidação do ovo na parede do útero, a segunda com o desenvolvimento do córtex cerebral e a terceira posição com a expulsão do feto do útero.
3ª. Das consequências sociais, o feto seria definido ou no nosso caso a vida seria definida pelo desejo social e moral representados pelas normas daquela sociedade, modelado pelas trocas biológicas e relacionais.
Diante disso acho pouco provável o aprofundamento assertivo das questões acima levantadas se não há um consenso nem quando a vida inicia consequentemente quando ela termina.
Na decisão do Supremo, questiono: Os médicos têm condições de avaliar com precisão se a má formação cerebral grave é uma anencefalia? Uma acrania? Ou merocrania? A interrupção extingue os problemas dessa mãe? Ou cria outros indescritíveis e permanentes?
Se a vida como pensam alguns é determinada pela função do córtex, vindo assim o diagnóstico da morte cerebral, e da ausência de consciência, poderíamos estender essa decisão a várias outras síndromes e más formações cromossômicas ou genéticas, ou não? O que seria uma vida vegetativa? O que determina ou garante um tempo de vida, ou todos não somos marcados para morrer?
Entretanto há um outro lado, o da mãe, ser psicofísico e histórico, produto das relações ontogênicas que carrega em seu ventre um ser especial, cobrada e inserida em uma sociedade materialista, perfeccionista e preconceituosa, então eu questiono: Essa mãe tem condições físicas, psíquicas, estruturais (financeiras) para suportar a pressão, e principalmente o desconforto emocional dessa gravidez? Tem o apoio da familia? Companheiro?
O cerne da questão não seria o Estado proporcionar apoio psicológico de excelente qualidade, apoio financeiro a essa mãe de forma que ela pudesse se fortalecer e assim ser um sujeito ativo e consciente na tomada da decisão? Exercendo autonomia e para que suas ações sejam livres no viver e no morrer.
Não seria oportuno a ética sair das academias e ser discutida nas turvas realidades que ora se apresentam? A religião rever dogmas e paradigmas, a ciência se colocar a serviço do individuo, enxergando como ativo nesse processo?
Confesso que não sei, me angustia a falta de certeza e talvez a incapacidade de ter convicções claras e verdadeiras, entretanto aprendi que o não julgar cabe em qualquer situação e que o amar o outro como assim mesmo é o princípio básico para uma vida feliz!
“Os limites de um ser humano só podem ser determinados por ele próprio. A nós cabe apenas a responsabilidade de oferecer oportunidades” frase lida em uma exposição da APAE sem menção do autor.
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